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De minha janela para a Virada

Este ano a Virada Cultural de São Paulo ví, ou melhor, ouvi de minha janela, devido a uma gripe que me arriou e por ter o privilégio de ter o seu palco principal literalmente sob ela !

Muita gente pode achar que é um saco ter a sua rua interrompida ao tráfego, mal poder sair de casa devido à quantidade de gente pelas ruas, ou ter um tapume bem na porta de entrada do prédio, eu acho ótimo !

Virada cultural 2009

Virada cultural 2009

Por mim teríamos ao menos uma por semestre, por que não ?

Vamos dizer assim, num semestre o foco seria a música, no outro o cinema/teatro/dança e museus, acredito que desta maneira teríamos chance de ir a mais eventos, pois no modelo atual é muita coisa ao mesmo tempo, às vezes nos interessa algo que é no mesmo horário de outro que também queremos, sempre haverá esse tipo de problema, sejamos claros, mas se pudermos de alguma maneira “amenizar”……

A Virada para mim começou na realidade dia 30/04, chegando em casa já vi a movimentação de caminhões, carros, polícia, DSV etc, tudo para a montagem do palco, na realidade o palco foi montado antes devido às comemorações do 1º de Maio da UGT(União Geral dos Trabalhadores) uma central sindical, após uma noite inteira de barulho e pouco sono, pela manhã começam a testar o som para os shows. Ao meio-dia os shows começaram, tirando de lado os discursos de “companheiros e companheiras” que os interrompiam, teve de tudo um pouco, de Daniel, Lecy Brandão( Ótima), Alexandre Pires, além de outros que não me recordo, terminando com o Vitor e Leo – gente vou sair para comprar um CD dessa dupla, são muito bons, muitas vêzes ouvimos falar de alguém novo despontando, mas não nos preocupamos em ouvir e apreciar, os havia visto num programa de televisão há uns dois anos creio, cantaram duas músicas, gostei mas não dei muita atenção, desta vêz foi possível ouvir todo um show e valeu a pena.

No sábado dia 02/05, John Lord, do Deep Purple, junto da Orquestra Sinfônica Municipal foi o primeiro show da Virada, foi muito bom ouvir o rock misturado ao clássico, me deu saudades do Rick Wakeman (por falar nele, por onde anda?) que na década de setenta já se inveredava por esses caminhos, o público encheu a São João, na sua grande maioria de homens, afinal dizem que rock é para macho, ou não Rita Lee ??? Ah! O Tutti Fruti também teve o seu momento na praça da República, queria ir, mas devido à gripe acabei ficando em casa mesmo, foi bom ficar, pois ouvir o Geraldo Azevedo com suas “modas nordestinas” é um programa imperdível, e o povão cantando junto ?!?!?! Muitos casais, mas em sua maioria era de mulheres, que sabiam as letras todas de cor.

Virada Anhagabaú

Virada Anhagabaú

Estava cansado, dei uma deitadinha quando o Marcelo Camelo começou a cantar lá pela meia-noite, não consegui ficar na cama, levantei e fui para a janela para escutar, que voz maravilhosa do cara, como a dupla que citei acima, nunca havia parado para ouvir sua música e apreciar, ele conseguiu, o que não é fácil, ter controle de todo o público, basicamente composto, me pareceu, de “emos”, se não o for, ao menos se vestiam de negro e tinham o aquele corte característico de cabelo. Mais um CD que vou comprar…

Quando a música do Tim Maia em seu “Racional”, cantada por Bnegão, Instituto, Dafé e Thalma de Freitas começou lá pelas 3:00 hs, já estava de volta à cama, de lá só saí para dar uma checadinha no público e voltei correndo, curti deitado todo o swinge do Tim num disco “quase” desconhecido, ao menos para mim, que só reconheci duas músicas, mas não para o público que vibrava, cantavam todas as músicas, me espantou, não sabia que era tão conhecido. Um parenteses aqui, de todos que cantaram tenho que ressaltar a voz da Thalma de Freitas, com uma dicção perfeita e um timbre de voz maravilhoso, espero que voe bem alto, merece.

O “Tribo de Jah” tocou o seu reggae, mas não me empolgou, mesmo que seu fiel público, todos com sua vestimenta característica(boinas, cachecois, roupas em amarelo/preto/verde/vermelho) bonito de se ver, estivesse à toda, achei pouco entusiasmante.

Cordel do Fogo Encantado” não parece nome de grupo folclorico ? Mas não é, foi uma das melhores coisas que ouvi, e olha que não sou de som pesado, “heavy”, mas este me pegou, o nordeste com seus problemas levado com paixão ao som de tambores e guitarras, forte, vibrante, letras de arrepiar, com personalidade. Quando tocaram “Cio da Terra” em sua versão, o baque foi grande, calou fundo o meu coração, simplesmente lindo. Já estou no terceiro CD a comprar … ai minha santa protetora das carteiras desprovidas !

Zeca Baleiro começou cantando “Saudosa Maloca”, um dos mais puros versos de Adoniran, à capela, mas não foi por muito tempo, o público o acompanhou, com este começo, o que se viu a seguir foi apenas a confirmação de um “showman” de primeira, um Zeca à vontade com a massa, muito bom de se ouvir.

O que falar dos Novos Baianos, a não ser que como vinho, cada vêz estão melhores, antigos sucessos em roupagem mais nova, vigorosos solos de guitarras, e a sempre fantástica Baby com seu vozeirão alucinante, um show de reencontros, tanto nosso com eles como entre si, espero que não fique só neste.Ah! Não podia deixar de mencionar a sua versão para “Sampa”, não sei o que aconteceu com o meu coração … quase parou.

E para finalizar em grande estilo, um show de primeira para ficar na história, Maria Rita impecável, dominando o palco como poucas fazem, aliás sua mãe esteve presente em cada gesto, olhar, e em alguns momentos se fechasse os olhos, Elis estaria ali, mas vamos dar crédito à Maria Rita, merece todos, está se impondo por si, saindo da “sombra”, ainda deverá demorar um pouco, mas já conseguiu bastante, está mais madura, solta, com alegria ao cantar, sem medo de cobranças, o seu atual”encontro” com o samba lhe fêz bem, está procurando e achando o seu próprio estilo. Vá menina, você é boa, trilhe seu caminho, boa sorte.

Por aqui vou ficando, foram 24 hs de muita coisa acontecendo pela cidade, fiquei em casa, graças aos Céus moro no centro de São Paulo, e assim pude participar ativamente de sua programação, mesmo que fôsse de minha janela, sem vista para os artistas no palco, mas com todo o som a que tenho direito. Estes comentários são apenas a minha visão do que “participei”, sobre a Virada em si, o que representa e o que pode e deve ser mudado, outra hora escrevo, mas gostaria que todos vocês estivessem aqui curtindo esse grande encontro cultural, fica aqui esta dica para o próximo ano, não percam, vale a pena, e para os que participaram, espero que tenham curtido.

Resenha realizada por Adelson Campos Moreira

Gentilmente cedido para o Blog Vishows com a intermediação do grande conhecedor musical Robson Gonçalves.

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