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Caranguejos com Cérebro e os 15 anos sem Chico Science

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Um passo a frente e você não está mais no mesmo lugar – Chico Science

Chico Science, a moçada da Nação Zumbi, Fred 04 autor do Manifesto Caranguejos com Cérebro (ler na íntegra no fim do post) e seu Mundo Livre S.A, arquitetaram o movimento artístico/musical mais importante do Brasil das ultimas décadas – o Manguebeat (…ou bit se vc preferir), trazendo do Recife os ritmos tradicionais do nordeste, lidos por uma galera antenada mas não colonizada e por isso mesmo conectada nas mudanças do mundo.

Movimento Manguebeat = Intervenção de inteligência e criatividade no Pop Brasil, aquele normalmente recheado de bundas, galãs caipiras, divas baianas, semi-deuses da MPB, e sucessos de verão que se extinguem com a execução massiva da mídia.

E foi justo quando CSNZ começaram a ganhar o Brasil com seus os sons, idéias e performances, um acidente de carro… meio bobo em pleno Carnaval… e o carinha se foi… Mas o mito ficou, reforçado pelo benefício da juventude eterna, afinal não deu nem tempo de errar, foram 05 anos de álbuns e shows históricos, como esse Mega no finado Hollywood Rock.

Os colegas da hoje consagrada Nação Zumbi, se mantém como uma das melhores bandas ao vivo do Brasil, e continuam mandando ótimos sons próprios, projetos paralelos e participações especiais, valem ouro puro, que o digam Céu, Seu Jorge e muitos outros.

O Mundo Livre S.A. continua na atividade e sagaz como sempre, bem como Otto e toda uma cena que levou o Mangue de Recife e Olinda para o novo século bem antes das “capitais”. O Carnaval da cidade e do Brasil continuam eternos, mas para sempre os sons de Chico Science e toda sua geração estarão ecoando das ladeiras de Olinda para cyber redes mundiais.

Quer entender melhor ?

Leia a íntegra do Manifesto Mangue Beat – o famoso Caranguejos com Cérebro, escrito em 1992 por Fred 04 e peça fundamental catalisadora do movimento.

Mangue, o conceito

Estuário. Parte terminal de rio ou lagoa. Porção de rio com água salobra. Em suas margens se encontram os manguezais, comunidades de plantas tropicais ou subtropicais inundadas pelos movimentos das marés. Pela troca de matéria orgânica entre a água doce e a água salgada, os mangues estão entre os ecossistemas mais produtivos do mundo.

Estima-se que duas mil espécies de microorganismos e animais vertebrados e invertebrados estejam associados à vegetação do mangue. Os estuários fornecem áreas de desova e criação para dois terços da produção anual de pescados do mundo inteiro. Pelo menos oitenta espécies comercialmente importantes dependem do alagadiço costeiro.

Não é por acaso que os mangues são considerados um elo básico da cadeia alimentar marinha. Apesar das muriçocas, mosquitos e mutucas, inimigos das donas-de-casa, para os cientistas são tidos como símbolos de fertilidade, diversidade e riqueza.

Manguetown, a cidade

A planície costeira onde a cidade do Recife foi fundada é cortada por seis rios. Após a expulsão dos holandeses, no século XVII, a (ex)cidade *maurícia* passou desordenadamente às custas do aterramento indiscriminado e da destruição de seus manguezais.

Em contrapartida, o desvairio irresistível de uma cínica noção de *progresso*, que elevou a cidade ao posto de *metrópole* do Nordeste, não tardou a revelar sua fragilidade.

Bastaram pequenas mudanças nos ventos da história, para que os primeiros sinais de esclerose econômica se manifestassem, no início dos anos setenta. Nos últimos trinta anos, a síndrome da estagnação, aliada a permanência do mito da *metrópole* só tem levado ao agravamento acelerado do quadro de miséria e caos urbano.

Mangue, a cena

Emergência! Um choque rápido ou o Recife morre de infarto! Não é preciso ser médico para saber que a maneira mais simples de parar o coração de um sujeito é obstruindo as suas veias. O modo mais rápido, também, de infartar e esvaziar a alma de uma cidade como o Recife é matar os seus rios e aterrar os seus estuários. O que fazer para não afundar na depressão crônica que paralisa os cidadãos? Como devolver o ânimo, deslobotomizar e recarregar as baterias da cidade? Simples! Basta injetar um pouco de energia na lama e estimular o que ainda resta de fertilidade nas veias do Recife.

Em meados de 91, começou a ser gerado e articulado em vários pontos da cidade um núcleo de pesquisa e produção de idéias pop. O objetivo era engendrar um *circuito energético*, capaz de conectar as boas vibrações dos mangues com a rede mundial de circulação de conceitos pop. Imagem símbolo: uma antena parabólica enfiada na lama.

Hoje, Os mangueboys e manguegirls são indivíduos interessados em hip-hop, colapso da modernidade, Caos, ataques de predadores marítimos (principalmente tubarões), moda, Jackson do Pandeiro, Josué de Castro, rádio, sexo não-virtual, sabotagem, música de rua, conflitos étnicos, midiotia, Malcom Maclaren, Os Simpsons e todos os avanços da química aplicados no terreno da alteração e expansão da consciência.

Bastaram poucos anos para os produtos da fábrica mangue invadirem o Recife e começarem a se espalhar pelos quatro cantos do mundo. A descarga inicial de energia gerou uma cena musical com mais de cem bandas. No rastro dela, surgiram programas de rádio, desfiles de moda, vídeo clipes, filmes e muito mais. Pouco a pouco, as artérias vão sendo desbloqueadas e o sangue volta a circular pelas veias da Manguetown.

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Gostaram ?
Então se inspirem… Qual será o próximo movimento ? Será o seu ?
Me chama pro show q eu vou…

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