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O novo álbum do No Doubt, Push And Shove

E na semana passada, exatamente do dia 25 de setembro aconteceu o lançamento oficial do novo álbum do No Doubt, “Push And Shove”. Na verdade o álbum já havia vazado há alguns dias mas eu não fiquei sabendo infelizmente.

Enfim depois de muita espera, pelo menos da minha parte, ouvi o álbum e fiquei ‘chatiada’ , não foi o que eu esperava. Ouvi duas vezes e estou ouvindo agora enquanto escrevo. Ele começa com Settle Down, o primeiro single e videoclipe lançados,  que eu gostei. Mas assim, na verdade acho que eu aceitei. Ai depois as músicas vão parecem pro caminho errado, tudo meio pop anos 1990, tem uma música “Easy” me parece sei lá, da Paula Abdul, não que tenha alguma coisa contra ela. Mas cadê o Ska? Cadê os trompetes??

Eu descobri o No Doubt através de “Don’t Speak” como muita gente, mas não fiquei por ai, ouvi as outras músicas, os outros albuns, e pra mim esse era o diferencial deles, a mistura com ska, reggae e tal. Mas nesse album não tem muito disso, ai eu fiquei pensando ‘Ain é só isso’. Das últimas músicas eu gostei mais, não posso dizer que odiei tudo, mas de uma banda que ficou todo esse tempo fora de circulação e da qual gosto tanto, eu esperava mais. E tá bom, eu sei que a banda não é mais a mesma de 1995, a Gwen tá casada cheia de filhos, não tem mais o coração partido, os outros caras da banda também  mudaram, claro que não seria outro “Tragic Kingdom”, mas em alguns momentos parece que eles fugiram da essência, ficou comum, sem graça, faltou um tempero. Até tem uma faixa “Spakle” que diz “never gonna be the same”, não exatamente nesse sentido, mas se encaixa no que eu quero dizer aqui.

Eu vou continuar ouvindo pra ver se acabo gostando mais, se tem alguma coisa que não estou ouvindo que faça tudo isso fazer sentido. Talvez eu só tenha que me acostumar.

O álbum tem doze músicas, na opção deluxe são 19 com remixes e versões acústicas de algumas faixas. Até gostei bastante dessas versões.

Push And Shove nome do álbum e a segunda música de trabalho eu gostei de verdade, o vídeoclipe é lindo, tem uma fotografia muito legal e os figurinos da Gwen são maravilhosos. Ah e tem trompetes.

Por Katy Illy

Discoteca Obrigatória – The Queen is Dead – The Smiths

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The Smiths em 1986

Os anos 80 é considerado por muitos como a década perdida por não contar com bandas definitivas como os Beatles, Stones, Zeppelin ou Pink Floyd. Na real, quem pensa assim, ficou surdo e não sacou o quanto os eighties foram ricos e diversos.

Verdadeira encruzilhada na história do rock, a onda sônica oitentista foi da New Wave of British Metal à cena Thrash da Califórnia, da renovação do som black (do pop/funk de Prince ao RAP engajado do Public Enemy) para a World Music terceiro mundista. Quem acompanhou de perto, foi pego mesmo pelo pós-punk inglês e pelo college rock americano, que gerou bandas como Gang of Four, Siouxsie & the Banshees, Husker Du, PIL, Echo and the Bunnymen, Replacements, Joy Division, New Order, The Cure, New Model Army, Pixies, todas com sons que deram a face mais original ao movimento e geraram uma cena que atingiu o mainstrean com U2, REM, Depeche Mode, Simple Minds e outros.

No meio disso tudo, ainda havia o The Smiths. A banda vinha, single após single, mostrando originalidade, lirismo e uma estética própria, definida pelo caráter ímpar do cantor e letrista, o sempre mordaz Morrissey e seu melhor parceiro musical, Johnny Marr, guitarrista de passagens tão criativas e desafiadoras em The Queen is Dead, que deixou hordas de guitarristas curiosos, em busca dos inovadores timbres, efeitos, acordes e afinações.

Com o disco, a banda conquistou o mundo, mas implodiu já no álbum seguinte, Strangeways Here We Come. Quando os moleques de Manchester surtaram à beira do sucesso mainstrean e optaram pela integridade. Com isso, garantiram não só o legado das canções, mas principalmente uma aura mítica que se retroalimenta a cada geração.

Por isso mesmo, The Queen is Dead é para se ouvir de ponta a ponta, compre ou baixe, tanto faz, só não deixe de curtir ao máximo.

Logo na primeira e homônima faixa, eles já mostram como são filhos diretos do punk rock. Marr toca raivosamente e a cozinha faz seu melhor trabalho em estúdio, com Rourke e Joyce mostrando muita pegada. O  baixo e a batera criam o clima para o bardo de Manchester  mostrar em lindos versos a decadência e o anacronismo gigantesco da monarquia.

Genial, um clássico instantâneo.

E para quem queria um som para cantar junto, com levada e melodia, Frankly Mr.Shankly era o som certo, aquilo que se esperava dos Smiths, mas o melhor ainda estava por vir. Para o desavisado, I Know it’s Over pode parecer uma simples balada, mas ali encontramos a doce ironia de Morrissey, em seguida, Never Had no One Ever deixa o clima pronto para fechar o lado A, com a batida perfeita de Cemetery Gates, que cita poetas e escritores mortos… “Keats and Yeates are on your side, while Wilde is on mine…”, o próprio cantor eterniza a comparação com Oscar Wilde, mais uma de suas grandes sacadas.

Lado B, e putz … a coisa ficou séria, quer um mega hit, vamos então com dois, e aproveitar a ocasião para se auto  imolar em público na pesadona Bigmouth Strikes Again em que o bocarra é o próprio cantor. Na seqüência, com The Boy With The Thorn In His Side, temos pura poesia, daquelas que você só fica feliz mesmo ao entender a letra. Pronto! Mais um clássico absoluto.

E se o disco começa com pau na Rainha, em Vicar in a Tutu, detona-se a igreja e, em especial, os párocos, com uma melodia simples, que nunca foi um hit, mas é perfeita para o balanço do álbum.

Mas se o disco tivesse somente a romântica There’s a Light that Never Goes Out, garanto que já seria um clássico. Foi a melhor combinação de letra e melodia da década, tudo na maior sonzeira… preferida de muitos e que ainda hoje todo universo indie tenta copiar sem sucesso, afinal… era de verdade, não tinha MTV e os clipes da época todos low budget e desmistificadores. FODA !

O rock simples e hipnótico de Some Girls are Bigger Than Others fecha de forma perfeita o disco, despretensiosa e simples, parece uma mantra roqueiro e alegremente fecha esse grande trabalho, o mais básico e essencial dos Smiths.

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