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Quentin Tarantino – Uma música de cada filme

Quentin Tarantino

Quentin Tarantino

Tarantino é um dos meus diretores de cinema favorito. Gosto de tudo que ele faz, mesmo antes de ver no cinema.

Hoje estou aqui para falar das suas trilhas sonoras. A música é muito importante nos seus filmes, eu diria que elas são 50% se não mais. Tarantino mesmo já disse que ele escreve seus roteiros pensando na música que vai tocar naquela cena, e o cara é bom nisso. A trilha nunca passa desapercebida, está sempre lá de maneira criativa e inusitada. Não há como esquecer em Kill Bill a cena em que a Noiva (Uma Thurman) encontra O-Ren-Ishi (Lucy Liu) e começa a tocar Don’t let me be misunderstood. Apenas um dos vários exemplos que posso citar.

Da mesma forma que seus filmes são recortes de tudo que ele vê e gosta no cinema, séries e quadrinhos, a música também. Ele escava o passado cinematográfico e musical em todos os seus estilos, fazendo uma colagem de tudo que ele já viu e ouviu, mistura o clássico e o pop, sem passar do ponto, de uma maneira que sempre surpreende o espectador. Isso torna a sua obra tão relevante.

Nesse post decidi escolher uma música de cada filme dele. Um trabalho difícil e bem pessoal, pois a minha música favorita pode não ser a sua música favorita.

1992 – Reservoir Dogs

“Stuck In The Middle With You – Stealers Wheel”. Porque não há como esquecer a cena em que o Mister Blondie decepa a orelha do policial, não há como ouvir essa música e não lembrar.

1994 – Pulp Fiction

“Girl, you’ll be a woman soon – Urge Overkill”. Tenho a impressão que todo mundo idolatra aquela cena em que Uma Thurman e o John Travolta estão dançando ao som de Chuck Berry, porém, eu não vejo nada demais. É muito mais legal quando ela chega em casa coloca Urge Overkill começa a dançar, cheira aquele monte de heroína e tem uma overdose.

1997 – Jackie Brown

“Across 110th Street – Bobby Womack”. Sinceramente não me lembro desse filme, foi fracasso de bilheteria, mas não quer dizer que seja ruim não. A única coisa que me lembro é dessa música.

2003 – Kill Bill Volume I

“Bang Bang – Nancy Sinatra”. Esse foi um dos álbuns que mais ouvi na vida, então é muito difícil escolher uma música. Escolhi Bang Bang porque é assim que o filme começa, e se começa com uma música boa assim já diz que a história vai ser boa. O Volume I, ainda tem muita coisa boa, clica aqui pra ouvir o resto.

2004 – Kill Bill Volume II

“Goodnight Moon – Shivaree”. Aqui tem Ennio Morricone, Johnny Cash e vale ressaltar a música dos créditos final Malagueña Salerosa da banda Chingon.

2007 – Grindhouse – Planet Terror / Death Proof

Os dois filmes se encaixam e são uma parceria entre o Tarantino e Robert Rodrigues, escritores, diretores e produtores do projeto. Cada obra vai por um caminho diferente, em Planet Terror ele vai para caminho trash dos zumbis, uma homenagem aos filmes de terror da década de 1970, enquanto Death Proof tem influências do movimento do cinema chamado Blaxploitation, também na década de 1970, que se refere aos filmes realizados por atores, diretores, produtores e músicos negros americanos.

“Down in Mexico – The Coasters”. Escolhi a canção mais marcante que é do filme Death Proof. Vejam a cena.

2009 – Inglorious Basterds

“Cat People – David Bowie”. Engraçado como ela pega as musicas dos westerns italianos, coloca em um filme sobre nazismo de 1930/1940 e dá certo. A trilha sonora desse filme tem muito Ennio Morricone. E ai ele nos surpreende com David Bowie, por isso eu o escolhi.

2012 – Django Unchained

“The Payback/Untouchable – 2Pac feat. James Brown”. A trilha é composta de folk, blues e hip hop, destaco o mashup do 2Pac com James Brown, “100 Black Coffins”, de Rick Ross e “Who did that to you” do John Legend. Mas como sempre tem uma dose de Ennio Morricone, afinal esse é um werstern também.

Foi complicado fazer essa seleção porque eu acabo gostando de todas as musicas que ele coloca nos seus filmes. Do seu jeito Tarantino faz referências e homenagens a estilos cinematográficos que as vezes não são valorizados ou estão esquecidos. Na sua biografia sempre é dito que ele trabalhou em uma locadora e que ele tem uma grande coleção de discos, sua paixão pela música é conhecida, isso faz toda a diferença no seu trabalho, é a sua bagagem.

Jamais iria conhecer Booby Womack, ou The Coasters, jamais iria descobrir músicas tão boas, se não fosse pelos filmes dele. Nossa bagagem aumenta também.

Seu novo filme está em produção The Hateful Eight”, eu sei que vou gostar.

A Trilha Incidental – John Williams

Sou apaixonada por trilha sonora. Basta a música misturar-se com a história do filme que me emociona, já me apaixono. Recentemente, fiz um curso de edição de vídeo e uma das primeiras coisas que o professor disse foi que a música representa 51% do filme, acho que é a mais pura verdade.

No primeiro post que fiz sobre música e cinema, avisei que falaria sobre trilha incidental, por isso, olha eu aí de volta. A triha incidental é a música instrumental composta por um músico ou maestro especialmente para determinada peça teatral, programa de televisão, novela, rádio,  jogo de videogame e, claro, para o cinema. Essa trilha dá o tom, nos coloca no clima do filme seja qual for, ação, terror, suspense, comédia, romance, enfim, a música incidental é a que nos faz mergulhar para dentro da história, sem que notemos. Um trabalho incrível e muito complicado em que o compositor deve conhecer profundamente o roteiro do filme para que as imagens e música conversem, ela é responsável por transformar em melodia toda a emoção da imagem para o público.

Também conhecida como “música de fundo”, a trilha incidental passa desapercebida por ouvidos desatentos. Poucas vezes,  reconhecida e elogiada,  a trilha conduz e dá novos significados à história. Não importa há quanto tempo vimos determinado filme, a música te faz reviver o turbilhão de emoções que ele te provocou.

Escolhi o compositor e maestro mais incrível de todos pra falar nesse primeiro post sobre trilha incidental.

Esse velhinho ai do lado é John Williams, “best friend” do Steven Spielberg (um dos meu diretores favoritos), John Williams é responsável pela trilha sonora da maioria dos filmes dele Tubarão, E.T., A Lista de Schindler, Jurassic Park, O Resgate do Soldado Ryan. William também compôs trilhas para os filmes de George Lucas: toda a saga Star Wars e a trologia Indiana Jones. Trabalhou com muitos diretores importantes, Oliver Stone, John Hughes, Chris Columbus e por aí vai.

Suas músicas são sempre grandiosas, sejam para filmes de aventura, ação, drama ou infantil. Confesso que sou apaixonada por ele desde a infância. Adoro!

  • Compôs 134 trilhas para o cinema e continua trabalhando.
  • 47 indicações ao Oscar, ganhou 5 estatuetas.
  • 21 indicações ao Globo de Ouro, ganhou 4 vezes.
  • 42 indicações, ganhou 21 Grammys
  • Um total de 86 prêmios em mais de 130 premiações.

Grandes trabalhos:

Tubarão(1975) – Trilha clássica, mais lembrada do que o próprio filme tanto que lhe rendeu seu segundo Oscar.

Star Wars (1977) – Williams é responsável pelas composições da triologia antiga e da nova, além de cuidar também do universo expandido nas animações e videogames. Com essa composição ganhou seu terceiro Oscar.

Os Caçadores da Arca Perdida (1981) – Não sou muito fã de Indiana Jones, mas a música por si só é uma aventura.

A Lista de Schindler (1993) – Esse filme é muito bom, não tem o que falar, quem não viu tem que ver. A trilha é mais triste, intimista, emociona tanto que colocou mais um Oscar na prateleira do John Williams.

Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001) – Como fã de Harry Potter eu fiquei chateadissima quando Williams foi substituído a partir do quarto filme da saga. As trilhas dele são maravilhosas, ludicas. E esse é um daqueles filmes em que dá pra se notar claramente a importância da música, ela torna os filmes muito mais divertidos e mágicos.

Claro que tem muito mais, esse cara é incrivel. Pra finalizar eu achei esse vídeo que é uma homenagem aos grandes compositores do cinema. Essa homenagem foi feita na ceriomônia do Oscar de 2007 e quem conduziu a orquestra foi John Williams. No início desse ano ele completou 80 anos, ainda muito ativo e com muitos projetos pela frente, amém!

Por Katy Illy

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